PROJETOS INDEPENDENTES
Parapluie
France 2014
























Memórias Dançam
São Paulo 2017


“Uma Carta as Memórias das Memórias:
Se navegar é preciso e viver não é preciso, a memória não é precisa mas vivê-la é.
Subjetiva; mas precisa. Relativamente absoluta. Única e dividida. Dádiva, dívida, dúvida da vida. Singular e pessoal que te leva ao todo. Sensorial e sentimental, emocional e energética. Sonhada ou acordada, a memória é:
Memorável.
Volátil e duradoura... perdida no tempo ou o próprio tempo temperado de tempo. A memória nos constrói, nos monta peça a peça, e o público dessa é limitada a um só(L). Lembrar não é memória. Lembrar é resgatar. Memória é reviver.
Por tantos cantos que passei que ouvi sobre memória, sempre me foi questionável a imagem dela. A memória sussurrava e meu eu já projetava o projeto da memória que ali estava.
Imagética e física.
Memorável.
O cérebro como se fosse um suporte revelador e a memória fosse algum sal de prata fotossensível.
A questão que me perpetuou é: e para aqueles que nunca enxergaram, de maneira plena, imagens do mundo físico?
Há cegos no mundo.
E não me refiro aos (c)egos que ferem o globo terrestre perfeito. Me refiro aos que apenas não possuem o globo ocular perfeito. Cegos que não escolheram por tal deficiência visual.
Se memória pode ser tanto tinta quanto quando e como foi usada, ela também é música que cabe a dança.
Impossível de desprender. Independe do ser querer e depende do ser para ter.
Memórias não são fatos.
São atos.
São tatos.
Contatos.
Memorável.
Então peço: dançem suas memórias! Num processo simultâneo de explosão e implosão como a formação de grandes cidades e de galáxias inteiras.
Sinestesie-se. Anestesiam-se. Revivam aquilo que é memorável. Pois se é memória, de algum modo, é importante.
Por tanto, peço: que as peças se juntem para a memoria ser desenhada e assim, tornar o sentimento memoravel.
Memorável.”

O projeto “Memórias Dançam” consiste em uma serie fotográfica de balairinos cegos descrevendo suas memórias no ar por meio da dança e sinestesia.
Os bailarinos são cegos, e fazem parte do projeto inclusivo “Ballet dos Cegos”.
As fotos são produzidas através do método LightPainting, onde as participantes seguram uma luz, se iluminam e e dançam no espaço.
fotos makingoff
bailarinas Jéssica Lacerda e Ana Davis









crianças no Jalapão
Crianças: a real esperança que vejo no mundo. Cada uma tão singular, com um brilho particular.
No Jalapão tive a oportunidade de sentar e conversar com essas belezas por tempos e tempos. Afinal, aqui a hora do relógio não é se lá algo tão importante. Queria conhecer essa terra através do novo, do hoje. E elas me mostraram exatamente o que estava buscando, na verdade, bem mais.
Claro, também conversei com coronel de 94 anos, com mulher do curral, com cozinheira, com benzedeira... Acho o passado maravilhoso! Mas o que eu queria mesmo sentir dessa terra, era através do olhar deles.
Algumas o papo rolou mais, outras menos... comigo não é muito dificil, amo crianças, fui babysitter, amo brincar, dar gargalhada... Gosto de ser amiga. Não "tia".
Se eu falar que todas são um doce, estaria mentindo. Conheci muita bixinha arretaaada, conheci muito muleque pestinha. Mas garanto, o brilho nos olhos, é o mesmo.
A curiosidade que a câmera da nelas é algo muito massa! Faço questão de ensiná-las a mexer, fazer retratos meus também... E nessa vigem em si, a grande maioria virou pra mim e disse que também queria ser fotográf@.
Aqui você vê uma criança de 9 cuidando da de 4. Você pede informação pra alguém de 6. O que parece efêmero, se torna memória eternizada no coração, não na mente.


















Meu avô como eu o vejo
Meu avô Chico, exatamente como eu o vejo. Com sono leve, estiloso, expressivo, verdadeiro, observador... Uma fanta laranja pra ca, um sambinha pra la, uma historia das antigas por contar.... Meu avô Chico, professor Chiquinho, Seu Brandao. Um exemplo de pai e ser humano. Lhe admiro mesmo esquecido, mesmo calado, mesmo inquieto.
Meu Avô.
Sou pedaço de você.
de suas histórias
dos seus sustos
dos seus pastos
de seus sussurros.
do seu respirar,
( e do que julgam sua piração.)
do seu caminhar sereno
do seu banho de sol diário
da sua camisa de botão
e do seu botão que caiu, um dia, num tempo, distante.
Sou pedaço de você porque,
de certo modo,
o modo certo
de se dizer família é pedaço. que se extende e tende a se construir e gerar novos pedaços (seja um livro seja um filho). Com você sou Iracema
visito a saudosa maloca,
visto roupa pra pegar o trem das onze
e vôo com as mariposas quando chega o frio.
E quando chega o frio
me esquento em memórias.
Você moço
dando aula para seus alunos
ensinando crianças a viver.
Você moço
cavalgando, caindo, e rindo.
Você moço
só dando goleada de cabeça (talvez de tanto usá-la, em todos os sentidos, você ficou esquecido.. rs)
Você moço
segurando a mão de minha vó e lhe dando o maior e verdadeiro amor.
Meço você
a maior medida de admiração.
Um dia fomos brasa.
E por causa de você hoje sou fogo.
O trago foi seu. Que me trouxe algo mais valioso que tudo!
Tudo vai, tudo. Menos o amor. E o amor não tem nome nem forma. O amor é linha radiante inquebrável que liga tudo e todos. E que gera pedaços.
Você deu a Luz a Luz que me deu a Luz.
e essa luz se desconstrói e se espalha na medida da tua.
Eu amo ser pedaço de você.















TABU SELETIVO
Sequência de amor entre Pedro e Júlia. Ex namorados, felizes, cheios de energia sexual, e ambos com Síndrome de Down. Todos têm o direito de amar e se descobrir através do outro. A inclusão parte dos mínimos detalhes





